"Na rua amarela" letras
1- O Zé queria (Pucarinho)
Começa agora uma história que dá cabo da cabeça a qualquer um
O tó manel cheio de pressa já não tem disposição para ouvir
O João anda nas calmas e prefere a sua sesta no seu sofá
E a Maria que contesta o dia a dia fechou a porta como quem não está
O vizinho tem um filho que lhe leva o tempo todo de uma vez
A namorada anda ocupada, tão deslocada que ninguém a vê
O contratempo do irmão que tem o jogo do seu clube a não perder
Fica para trás uma conversa por acontecer
O Zé queria uma conversa que não fosse uma novela ou futebol
Ele queria por o dedo nesta ferida desta vida de gente mole
E queria abrir os olhos em conjunto, minimizar o custo de viver
Ele queria mais que tanto, que se cansou de tanto querer
2 - O Nosso Sol (Pucarinho)
Tu chamavas-me amor porque amor sentias,
Chamaste-me de herói na tua literatura espacial,
Nos teus olhos via tudo, nem precisava falar,
Fiquei louco, surdo, mudo, quando te vi dançar,..
E por momentos parecia estar feliz
Tu eras tudo aquilo que sempre quis
O nosso amor tinha um formato original feito tão simples num contexto minimal
E vivia de magia sempre junto ao sol
E eu te via tão perfeita…
E veio o primeiro sinal do outro lado de tudo
Esse nosso conceito minimal se desmanchava com o mundo
Com o mundo à nossa volta sempre a fazer pressão
E de direita ficou torta, a nossa primeira discussão…
Já não me lembro se era pelo que eu vestia? Alguma coisa me apontaste, enfim…
Eu era o mesmo e só queria que não mudasses o que te fez gostar de mim
Se está bem deixa ficar, não é preciso gastar tudo de uma vez
E poderia visitar o mundo e voltar, voltar a parecer…
3- Sinto Falta de ar (Pucarinho)
Sinto sinto falta dar
Sinto a chuva a cair
As coisas que chovem não são água, não são para regar
Secam as raizes, tenho sede tenho falta de ar
Sinto sinto muita sede, sinto a fonte a secar
O que vem da fonte não é água , não é para beber
Nem para mergulhar
Tenho sede tenho falta de ar
Bebo a bomba H
Bebo a fome, bebo a sede
No silêncio grito um credo
Bebo o medo, bebo o que não há
A fonte secou
Tenho sede, tenho falta d´ar
4- Irmão do Irmão (Pucarinho)
És feito da terra e do m ar, feito da virgem, da cigana, do ateu,
Do pastor que já morreu, de Adão e Eva que não está…
Feito da mente, do rio e da nascente, do sol e afluente, da lua quarto crescente,
Do rei mago e presidente que não está…
Filho da mãe, filho do pai…
Irmão do irmão, do cometa, do planeta, do pateta, da senhora professora e dos Jornais…
Filho da T.V, do cinema, da lógica, do esquema e afluentes capitais…
És feito da cidade, da mentira e da verdade, da montanha cinzenta que tens dentro da cabeça e dos mares, dos sítios mais vulgares…
Feito da corrida crescente, das pressas e vagares, dos circuitos da mente e lugares…
Das presas e represálias do passado, dos mapas desse fado, que desenhas já cansado de saber... que és filho do pintor e do escritor,
De quem te traz de bandeja o amor…
5 - Gosto da tua voz (Pucarinho)
Gosto da tua voz quando me embala e nós vamos ficando,
Ali a brincar
Gosto do teu perfil, discreto mundo azul, assim pintado
(Assim) de branco
E essa pessoa que dás, levando ao mundo a paz, não escolhe a cor ou posição,
Tanto lhe faz
E este aqui que vê, distante um pouco mais, podes acreditar que sim,
Somos iguais
Gosto de ti assim, com este mesmo ar, um ar meio tonto, um outro
Que tudo vê
Perfume natural, que me persegue e faz querer, ir mais ao fundo de ti,
De ti….
6- O que estás a dizer (Pucarinho)
Não entendeste, não entendeste nada do que eu disse, do que disse não... do que queria dizer, antes de me interromperes.... Sabes falar?
Entendeste logo outra coisa qualquer, complementando a nova história que arrumaste logo ali..
do (O) que estás a dizer? para quem te está a ler...
O que vais omitir? para quem te vai ouvir...
Mais uma vez e não te entrou... que são as palavras que mudam (dizem) tudo, todos os dias um pouquinho mais...
Falar?... é importante demais saber falar...
Ouvir?... é importante demais saber ouvir...
7 - Fazendo a cama pelos dois (Pucarinho )
Há qualquer coisa aqui que não bate certo, alguém invadiu o meu lugar
O espaço, o tempo,
Sem nada de concreto trazer para partilhar...
Alguém calçou as minhas botas, talvez por precisar...
Não teve em conta que fico eu, sem nada para calçar..
Alguém me fez ficar aqui, sem vontade de sair..
Não aguento mais não ter para onde ir...
Vai sempre haver à minha volta, a pose, um sorriso infeliz...
Depois há que ter em conta, o que se mostra, o que se diz...
E quem ? mexeu nos meus sinais
Quém me trocou as voltas??
Quém quis deitar nos meus lençois,
Fazendo a cama pelos dois...
8- E agora que parece (Pucarinho)
E agora que parece tudo, que parece tudo mal
E agora Que parece que o medo aparece, que aparece entre o pessoal
Que pouco acontece, que ninguém investe, congelado capital
E agora que ninguém se mexe e remexe um nervoso miudinho natural
E agora que não há emprego, que se instalou o medo social
Agora, não há mais voltas a dar,nem se pode confiar nas
cantigas que se vendem por aí e os que fizeram por ti,
Agora , não te podem ajudar, já não te podem ajudar
E Agora que parece tudo, que parece tudo mal...
E Agora, parece tarde demais
E o demais que possas ter, já não te faz falta e não dependes para viver
Agora que levaram tudo, já não há nada a perder
E Agora desenrola, se te sentes apertar
Dá um grito para longe e volta a desenroar...
Neste mundo que dá voltas e rebola e deixa tudo a sobrar
Dá um grito e desenrola que te faça respirar...
E vais até a fundo, no que vens representar
Contigo esse muro é fácil de saltar...
Agora, não é amanhã
Agora, tem que ser agora
Agora, há que superar
Agora, Agora...
9- Quem não se vê ( Pucarinho)
Tu Mulher...,
que não se vê...,
deixas sinais para seguir...
E a força do ser animal,
o ansiar de ver um pouco mais daí
Para responder em versos reais, que fintam e revoltam
Sendo sinais,
Que me fazem mexer...
Que me fazem ficar assim...
De vez em vez, de vez se nota,
Faz parecer, quase tudo ali...
Depois porquês ?? porquês sem conta
Quem não se vê, porquê me toca...
10- Deitado na tua mão ( Pucarinho)
Dispo tudo em mim e assim me dou, deitado na tua mão...
Onde me deito eu? De outro quem, esse lugar, ... sem espaço para ficar.
Parte de mim caiu no chão, outra, ficou na tua mão,
Que me aperta e faz chorar e sorrir, mesmo sem lugar.
De tantas voltas, fico tonto e só...
Me vou pela chuva perdido...A cidade ficou triste, já não se vê a luz...
Um outro lado existe, um outro lado me seduz.
Me faz (faz-me) levantar do chão, quando sinto a tua mão
Mesmo sem lá ter lugar, lá consigo descansar...
Esse som, esse som que te faz sentir,
Que te leva para longe do presente e visual,
Onde te encontro a voar...
11- Protótipo Cintilante ( Pucarinho)
Mundo de cristal e tudo a brilhar
Vou fugir daqui p´ra me salvar
A tempo de não me apanharem a jeito, feito e refeito nas malhas do vosso deus amado e triste fado, no castelo, no sítio amarelo que faz de conta e monta o tal desenho
Armado encorpado , fato inibido, bem parecido, cabelo comprido, cintilante estado aberrante altamente, sente puro, Protótipo.
È bem, é bem, é bem assim…
É bem é bem assim p´ra ti o mundo cintilante sentado ao volante a passear?
É bem é bem assim p´ra ti o mundo tão oedante, diamante a cintilar, a cintilar,
A cintilar…
Defendendo sempre à frente a posição contente, triste, triste, conformado…
Vivendo dos olhos dos outros, dos trocos dos outros, outros parasitas cor de rosa e carros, …Barcos, bicicletas, marionetas, metas manipuladas a quente, a frio…
Porque é mesmo assim, correndo em fernezim, as lojas, modas e sítios e lugares, bares, discotecas particulares, privadas festas (altamente sente puro),
Protótipo.
12 - No Banco do jardim ( Pucarinho)
Quando te sentares no banco do jardim e a pensar
Que tanto tempo que viveste e já passou, depressa e devagar
Quando pensares no que fizeste à vida, no que a vida te fez e nos porquês
Porque te sentes só, no peito tens um nó que arde e faz doer…
Quando sentires que a morte está tão perto e que vives no deserto aos trambolhões
A quem disseste no passado “Eh pá não tenho tempo” Agora não quer ser cajado desse corpo lento…
Quando sentires na pele que a força foi-se embora devagar…
Onde deixaste no passado enterrado na carreira a quem deste a vida inteira,
A quem deste tu…
Quando sentires, injusto o novo tempo e vais perdendo o argumento que te faz ficar ali
E voltavas para mudar o teu passado, construir um novo fado de raiz…
Agora tens um dilema e os bichinhos na cabeça não te deixam descansar, o mque fizeste tu?
Porque ficaste isolado nesse banco assim sentado, a queimar o tempo e só...
O que fizeste tu?
13 - Figura de idiota ( Pucarinho)
Eu disse logo desde cedo que não queria ir à tropa
Minha mãe que adorava ver homens de uniforme
E eu, segundo filho, tão distraído lhe servira de marioneta
Encaminhado nesse fado, já fardado, e ela ficou feliz…
Passado pouco tempo revelou-se nova meta
Só fardado não chegava, não fazia distinção
Todos os dias empurrado para o estudo aplicado que já me cansava
No seu sorriso, orgulhosamente mostrando como me educava
E quantas vezes dei por mim a fazer figura de idiota
Convencido que vestido assim (fardado) até me ficava bem…
Mas a gravata não deixava respirar e os sapatos aleijavam-me os pés
Se não fosse pela musica e pela minha mãe, não estaria ali…
E deu-se o dia do avesso e parti a louça toda
Minha mãe deu-lhe um ataque de vergonha quando me viu sair de porta fora
Vestido de rockeiro libertário com as ideias ao contrário na cabeça
E a grava ta virou palheta de guitarra eléctrica a distorcer…
“ Ouve bem o que eu te digo, eu só quero o teu melhor,
Eu faço tudo, mesmo tudo para seres um senhor,
Ou segues isto tudo à risca ou vais ter que te safar por ti,
Se não quiseres ser, o que te dou, não esperes mais e mim”
14 - Na rua amarela ( Pucarinho)
Na Rua amarela onde todos vão à noite brincar ao serão e ficar sem dormir a noite inteira…
No fim-de-semana é ponto de encontro certo, todos vão beber e ficar a cair a noite inteira…
Onde o som nos leva à dança estonteante no fumo azul…
E tudo podemos ser…
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"Na Rua Amarela"
Produção - Caracol Secreto Associação / Luís Pucarinho
Edição - Vachier & Associados
Letra e Música - Luís Pucarinho
Arranjos - Pucarinho
Design Gráfico e imagens - Cristina Pimentel
Desenho da Capa - Luís Pucarinho
Management - Luís Pucarinho - pucarinho.palomaspot@gmail.com -Tel - +351 969157284
Espectáculos - Alain Vachier - alain@vachier.pt - Tel - +351 969034922